Emília Goulart

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Araçatuba, São Paulo, Brazil
Escritora,poetisa, contista,cronista, romancista, artista plástica. Costureira da arte.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

 Para hoje um pensamento.

A necessidade é a mãe do nosso destino.
Mas a prudência nos recomenda ser surdos
aos apelos da necessidade.
Emília Goulart

sábado, 16 de dezembro de 2017

Amigos e Gratidão

                                                   



                                                           




                                                           
 Amigos e Gratidão
Amigos palavra bonita cultivada por pessoas que se querem bem. Gratidão  a palavra que eterniza uma amizade.  O amigo capaz de despertar um sentimento de gratidão, jamais será esquecido. Tenho muitos amigos e lembranças boas, alegres, que vieram ao meu encontro quando pensei neste tema.
Mas todos nós sabemos reconhecer o verdadeiro amigo? Tenho a impressão que as pessoas esperam muito umas das outras e guardam pequenas mágoas e rancores com muita facilidade. Há amigos verdadeiros, e os eternos amigos. Tenho todos como amigos queridos, mas alguns estiveram tão presentes em momentos difíceis que se tornaram eternos. Não importa o tempo que passou, vou lembra-las com carinho. Ao olhar para traz ainda sinto a importância de algumas amizades na minha vida. Elas me mostraram que no mundo tem pessoas boas, que fazem a diferença.
Pessoas, a quem sou imensamente grata que me acudiram e
tornaram mais suaves o meu caminho.
Aos quinze anos perdi minha mãe, sem irmãos fui acolhida por minhas tias e a parentada toda. Um pouco da dor e muito da falta, se diluiu no conforto dos braços que me confortaram e nos carinhos das tias, mães emprestadas por meus primos e primas.
Logo depois conheci uma pessoa que veio de Jaú e nos tornamos amigas, foram inúmeros os momentos em que Sueli me protegeu, apontou perigos e os buracos nos quais eu estava me metendo. Meus maiores defeitos ela foi aparando. Minha incompreensão com meu pai foi um deles. Muitas vezes fui tola e ingrata dizendo que não se metesse em minha vida. Mas era para ela que eu corria com minhas decepções.
Livrou-me de cometer erros para os quais arrependimentos são tardios. Deus a levou muito cedo talvez eu não tenha merecido um anjo da guarda assim tão presente. Obrigada amiga por ter estado do meu lado durante os oito anos mais difíceis da minha vida. Aqueles anos quando a juventude nos aponta caminhos que nos parece fáceis.
Outros amigos que a gratidão não me deixa esquecer Dona Ruth e o Senhor Pedro dos Santos. Morávamos em uma das suas casas, tudo ia bem, até meu marido ficar desempregado, quatro filhos para alimentar, água e luz para pagar além dos aluguéis que se acumulavam.  O que eu recebia como revendedora de produtos de beleza não dava para todas as despesas. Nunca fui coagida ou ameaçada de ficar na rua com meus filhos por este casal.  Os amigos estão bem menos tolerantes. Ninguém tem tempo para te ouvir. O mundo virtual se ocupa das banalidades e diante de necessidades reais eles curtem.
Eu estive lá, onde a miséria bate na porta sem saber se amanhã ainda haverá uma porta. Lutei, venci e hoje ao ver pessoas desempregadas batendo em portas sem conseguir tratamento para suas dores. Os planos de saúde se recusando a atender seus associados e o sistema de saúde pública, falido. Sim, falido e não temos nenhuma assistência jurídica ou política preocupada com isso. Sabe-se que continuamos a pagar pelos crimes de colarinhos brancos.
Esses falsos hipócritas e enganadores que parece estar presos, mas as condições de prisioneiros não entram em suas selas. Suas famílias frequentam os mesmos lugares e colégios, afastados dos seus cargos não ficam sem receber.  Nós os imbecis os pagamos através dos impostos.
Quando retorno ao passado para comparações de um tempo, tenho minhas razões, não tínhamos salário desemprego nem décimo terceiro. Quando meu marido  voltou a trabalhar, peguei seu primeiro salário e fui pagar os aluguéis atrasados. E mais uma vez eu não saberia o que ia fazer para as crianças comerem no dia seguinte, pois eu vinha prometendo que pagaria o aluguel atrasado.  Descobri que a amizade deles por nos era bem maior. Eles separaram a metade e disseram que aos poucos eu iria pagando o resto. Há tempos eu não fazia uma compra para minha casa, ficamos muito felizes.
Como eu disse tenho muitos amigos especiais, mas a gratidão faz algumas amizades eternas. A humanidade precisa voltar a ser humana e menos irracional.


Emília Goulart

Novamente é Natal

                                                

                                






                                                             Novamente é Natal



Novamente, é Natal! Nossas expectativas mudaram. Os anos vão passando e eu vou me tornando mais exigente. Já não me satisfaço com presentes materiais e não me alegro de promessas vãs que nunca são cumpridas.
         Não quero nada que no natal seguinte esteja velho, esquecido em um canto qualquer ou obsoleto. Quero algo que me alimente de lembranças boas. Quero o seu sorriso, ou até uma gargalhada escandalosa para alegrar minha vida. Quero doces palavras para dar sabor aos meus dias. Algumas lágrimas temperadas de alegria, para lembrar-me de que ainda estou viva, contrariando as estimativas de vida para quem nasceu nos anos quarenta. Quero um abraço apertado que não deixe soltas as pontas dos laços de amizade. Abraços nos unem e matam saudades. Ainda que isto nos pareça impossível, o abraço leva mensagens do nosso bem querer onde não conseguimos alcançar.
 No Ano que se aproxima quero mais respeito com nosso planeta. Menos poluentes e agrotóxicos. Mais comprometimento dos humanos com a flora e a fauna. Vamos plantar a certeza de que estamos preparando um mundo melhor para todos. Que o amor e o respeito não sejam delimitados pela cor, raça, religião, condição financeira ou opção sexual. Vamos respeitar as diferenças, ser compreensivo e tolerante com as limitações do próximo.
Vamos fazer calar nosso orgulho e preconceito. Aprender a dividir com os menos favorecidos e deixar de arrogância diante dos fracos e oprimidos.
Quero ver e ouvir orquestras e bandas tocando nas praças e nas favelas, substituindo sons de tiroteios. Que as crianças possam brincar alegres pelas ruas, sem que balas perdidas as alcance. Que os anseios de voltar para casa nunca terminem em pesadelos.
 Parabéns, paz e saúde aos trabalhadores humildes que dividem os mesmos trinta mil reais, que a ministra desvaloriza, por várias famílias e sobrevivem com honestidade. Desejo um ano bem melhor para todos os alunos que alimentam o sonho de uma vida digna, embora nossos governantes  nada façam, nem mesmo para proporcionar o convívio pacífico e seguro no ambiente escolar. Muitas vezes ordenando a volta para suas casas, atendendo ordens do comando do tráfico para fechar as portas das escolas. Parece que rasgaram o estatuto da infância e da juventude. Os Direitos Humanos montou sede nas portas das prisões para melhor dar voz e segurança aos bandidos, enquanto a população sofre as consequências.
 As crianças estão desassistidas. Os idosos que tanto contribuíram com a previdência perambulam ao léu em busca de assistência.
Que a nossa teimosia nos permita vida longa para sairmos às ruas e gritar contra as injustiças.
– Não, não somos os culpados pelos desfalques, corrupções e empréstimos feitos à revelia dos contribuintes. Onde está o dinheiro pago em altos impostos? Vamos levantar um sonoro “bate o sino”. O INSS teria dinheiro suficiente, não fosse no passado, contribuinte compulsório das usinas hidrelétricas. Não fosse o cofre aberto para socorrer o governo em atos nada condizentes com o proposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
Agora levantaram que há outro culpado pela escassez de recursos. São as mães que deixaram de ser as parideiras do sustentáculo da roubalheira.
Desejo que os Reis Magos nos visitem e tragam honra aos poderes e poderosos. Dignidade e sabedoria ao povo brasileiro para escolher seus governantes e cobrar com ânimo os nossos direitos. Somos um povo calmo e esperançoso.  Meu pai sempre pregou paciência e esperança, faleceu em1979, ainda na era do INPS. Ele dizia: quando o povo perde a paciência, e vê a esperança minguar, não há poder que o detenha. 
Não queremos nada além dos nossos direitos: saúde, segurança, educação e ver o Brasil livre dos corruptos.
 Se a ordem e progresso não convivem bem, nos devolvam a ordem, que o progresso será alcançado por esse povo tantas vezes ultrajado.

 Emília Goulart