Emília Goulart

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Araçatuba, São Paulo, Brazil
Escritora,poetisa, contista,cronista, romancista, artista plástica. Costureira da arte.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Sonhos que roubam o Sono

                                                   Sonhos Que Roubam o Sono
Sonhos sempre fazem parte da nossa vida. Somos sonhadores por excelência, não fosse os sonhos a vida seria enfadonha. Não vou usar este espaço para falar sobre esses sonhos que envelhecem, mas também se renovam no momento em que se materializam. O desejo é combustível que alimenta o sonho e o ser humano sonhará enquanto viver, pois as coisas ficam mais leves quando sonhamos.
 Vou deixar esses sonhos de lado e falar daqueles que chegam sem pedir licença, bagunçam nossa noite e se vão deixando um grande vazio sem explicações. È inacreditável pensar que em poucos minutos, às vezes segundos, eles nos fazem voltar no tempo onde não havíamos nascido ou avançar séculos que não alcançaremos para nos deixar algum recado que será lido depois de passado muito tempo. Vivo esses extremos desde a minha infância. Contava para minha mãe e ela não dava importância. Deixei de me preocupar, mas, conto logo que amanhece para o primeiro que encontrar, depois anoto na minha memória, para em um momento propício como agora, voltar a fazer um comentário do sonho que tive a muitos anos.
Nestes dias quando a Inglaterra volta a ocupar a imprensa internacional, me veio a mente um desses sonhos muito estranhos que tive.  Precisamente no ano 1964, logo após a morte do então presidente dos Estados Unidos John  F. Kennedy.   A lembrança límpida se deve ao fato de que eu amamentava um dos meus filhos, e cansada adormeci. Uma breve cochilada e um longo sonho que nunca consegui esquecer. Tenho sonhos malucos com pessoas que nunca vi, fatos nunca mencionados, sonhos surreais. Já vi o mundo projetado no céu, portas abrindo para reinos excêntricos, governados por porcos muito gordos que se alimentam de dinheiro. Sonhei com abismos que se abrem no meio de uma estrada movimentada. Neste acordei sobressaltada com meu grito. Ah, eu e meus sonhos, já não me causam medo, verdade que ao sair dessa roleta infernal na qual mergulho por alguns minutos, demoro a conciliar novamente o sono, meu medo é que volte a sonhar quando tudo que desejo é dormir.
  Deixa eu esclarecer que não uso droga, não fumo e nem bebo. Em 1964 eu era jovem com filhos pequenos, sem tempo para falar de política e nunca tinha visto uma televisão, muito menos tinha tempo para me entreter com a distante Inglaterra e um Senhor Churchill que eu nunca ouvira falar.
Hoje a vida me leva por outros caminhos. Ao alongar meu tempo, ela me permite ler mais para entender um pouco melhor a política e visitar através dos meus sonhos o extenso vale dos absurdos que tem me apresentado certas criaturas maravilhosas.  
Em 1964 quando o céu se abriu em meu sonho, para que o 1º ministro da Inglaterra, Sir Winston Churchill fizesse um pronunciamento, o mundo não estava em guerra, mas, um novo ciclo político tinha início no Brasil. Um sonho é apenas um sonho, nada dito mudaria os acontecimentos. Voltei a dormir e como não me lembro o discurso, penso no que ele teria dito sobre os acontecimentos atuais? Procurei em suas palavras algumas que ele certamente repetiria ao Juiz Sergio Moro.
1º Se você passar pelo inferno não pare de andar.
2º Se você tem dez mil regras, elas destroem todo o respeito.
3º Os problemas da vitória são mais agradáveis que os da derrota, mas não menos difíceis.
Sir Winston Churchill o homem que resistiu a Hitler e mudou a história.

Emília Goulart

terça-feira, 24 de maio de 2016

Velhice Sem Traumas
Relutamos muito em assumir nossas dores, melancolias, saudades e tentamos passar às outras pessoas uma juventude que não nos veste bem. Nosso inabilidade com a nova tecnologia que nos afrontam com seus números botões, zombadores da nossa imperícia em manipulá-los. Atestam a velhice que negamos.

 Inoportuna ou não, a velhice chega e precisamos aceitá-la. Não sabemos por quanto tempo conviveremos, espero fazer uma longa amizade com minha velhice, tentarei me ajudar mais, reclamar menos, ser no mínimo suportável ao próximo. Eliminar todo ranço do passado. Do meu álbum quero rasgar as páginas que revelaram magoas e colorir de novo as que  registraram felicidade.  Se você como eu se acomodou no engodo de que a vida começa aos quarenta e já chegou aos setenta está na hora de rever seus conceitos, pois continuar pousando de mocinho ou mocinha começa a ficar ridículo. Ao se deparar com a minha sinceridade talvez me considere uma “grossa”, contudo não se ofenda, é assim mesmo. Começamos por discordar de tudo. Formulamos nossos pensamentos e não aceitamos críticas. É preciso mudar a velha opinião formada: “ao velho tudo pode, tudo é permitido desculpável e uma gracinha”.
 Casais namorando logo pela manhã é uma desgraceira no nosso dia. Tudo que fizemos e não fazemos mais vem cutucar nossos sessenta, setenta anos ou mais. Vamos envelhecer com sabedoria.  Vestidinhos e shortinhos curtos são para as meninas, ainda assim se tiverem pernas bonitas.  A discrição é irmã gêmea da elegância.
Nossa! Eu não pretendia escrever isso, mas não trapaceio com minha linha de raciocínio. Preciso aprender muito para ter uma velhice tranqüila sem me tornar um peso, nem uma vergonha para meus filhos.
 Uma velha amiga me disse isso a vinte anos atrás:
—Tenho prestado muita atenção na mamãe para não repetir os mesmos erros, não a repreendo ela não faz por maldade, apenas não viu o tempo passar.
Realmente não é preciso que nos lembre que estamos velhos. Nós sabemos e sentimos. Mas, por favor, nos avise quando o batom vermelho for usado em ecesso.
 Abriguei-me na minha velhice e estou feliz. Com ela vi chegar a calmaria. O tempo de mar agitado cessou. Vi a maré baixar mansamente. No inicio um temor de ser arrastada por ela, mas aos poucos descobri que ainda tinha forças para pular pequenas ondas. Não me atrevo mais a enfrentar ressacas, respeito o limite dos setenta.
Meu sonho não foi conhecer o mundo, cultivei ambições maiores e desafiadoras. Sempre que a ocasião permite, convido algumas amigas e partimos em buscas de grandes aventuras.  Nossos encontros acontecem na caverna do passado. Lá abrimos nossos baús empanturrados de memórias. Algumas secretas outras indiscretas. No silêncio da caverna, saltam sobre nós teias que nos entrelaçam com afeto. Um suplemento de ternura nos é servido em taças de amores vividos. Sobre a mesa, gasta pelo tempo, abrimos um mapa e revisitamos lugares, onde nos decepcionamos em alguns e fomos felizes em outros.
Não conseguimos apagar nossos rastros. Deixamos a areia, a poeira e as marcas de outros passos se encarregarem de apagá-los.
A  qualquer dia o velho mapa do baú será novamente visitado com o mesmo espírito de aventura a nos perturbar. Estou amando a minha velhice. Não preciso mais subir longas escadarias para tentar alcançar o infinito. Ele se aproxima sem que eu precise fazer nenhum esforço. Estou determinada a seguir a orientação do tempo, ele se perderá da vista a qualquer momento, então vou aonde já conheço que me cansa menos.
Acerco-me de pessoas que conhecem o mundo, elas gostam de contar suas viagens, eu usufruo sem custo ou cansaço. Estreito meus laços de amizade com meus ouvidos atentos e meu eu maravilhado.
Gosto de ouvir o barulho do mar, mas, não precisa ser o do Caribe. Também não preciso mais chegar ao topo do universo. Esperarei com tranqüilidade ser conduzida por Ele.
Emília Goulart  

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Planeta Terra é Nosso

                                          O Planeta Terra é Nosso

A sede de alcançar outros planetas, visitar estrelas, e a pretensão do homem de voar cada vez mais alto,  parece estar tirando a terra do eixo e nossas cabeças também. O homem  vive em função de ultrapassar limites,  não temos heróis.
Não quero com este texto fantasiar a realidade, apenas expor meu livre pensamento sem me preocupar com as verdades meritórias dos estudiosos. Não quero travar um duelo com Deus muito menos com o Diabo.
Meu pensamento não caminha com tanta agilidade e me arrasto como uma lesma nos preceitos do passado.  A acidez  das imoralidades que afrontam a sociedade conservadora com provocações desnecessárias, alimentam os  preconceitos tolos e me confunde.
 Recursos tecnológicos fluíram em curto espaço de tempo e  não foi suficiente para  preparar o homem para as grandes mudanças. O caráter do homem foi fundamentado no respeito, mas não conseguiu manter-se na crista da onda e naufragou. Perdemos o controle da terra  e queremos explorar outros planetas?
 Posso sim estar errada e podem muitos ou todos discordarem da minha linha de raciocínio, no entanto não vou abdicar do direito de expressar meus pensamentos até mesmo porque,  muitas teorias consideradas loucuras foram mais tarde comprovadas  como verdades absolutas. A terra é redonda! Mas, isso claro, não me eleva ao patamar dos sábios nem dos grandes cientistas. Sou uma simples mortal cuja imortalidade acadêmica não me subiu a cabeça.
Há tanto que ser feito aqui na terra, neste planeta maravilhoso que Deus nos deu. Aqui tudo foi feito com carinho e dedicação para que ao homem nada faltasse. Provisionou a terra de água doce e salgada, ar, fogo, praias, matas e montanhas.  Sua generosidade principalmente com os brasileiros é infinita. Há extensas planícies abrigando nossa fauna, Ele não se esqueceu de que para sustentar o ar que a terra necessitava, era preciso uma vasta floresta e o Bondoso Pai escolheu o Brasil colocando nele a mata Amazônica, pulmão do mundo. 
 Posso sim estar errada, e ouvir ferrenhas  críticas quanto a minha visão de futuro, mas me reservo o direito de perguntar:
—Para quê precisamos ocupar outro espaço se não cuidamos bem deste que nos foi dado?
Creio sim que Deus pode ter criado outros filhos em outros mundos, mas não estamos cuidando bem do nosso! Então para quê esta ganância em invadir espaços que não nos pertencem? Aqui  só nos  falta pessoas honestas no comando.
  Só encontro uma razão plausível para ocupar outro espaço, se esta fosse uma forma de livrar a terra dos usurpadores!  Quem sabe construindo lá em Marte uma grande prisão onde depositar a escória da terra, nos livraríamos dos corruptos, traficantes e cruéis assassinos. Contudo não é justo poluir com nosso lixo outros planetas.
 Haverá heróis em outro planeta capaz de uma higienização  que  livre de uma vez a terra, dos seus vilões audaciosos?  Quantos  pensamentos  me ocorrem, nenhum que seja  uma saída digna de ser usada por terráqueos do bem. A insatisfação em ver a criminalidade triunfar, e a justiça se esconder, me leva a crer que  a desordem foi estabilizada, não há o que fazer, quando quem governa  não se dá ao respeito.
Ouço novamente a terrível frase: “O povo não sabe votar”.  Quem saberá escolher,   no meio do joio  se no joio não há escolha?
Procura-se  um marciano para se candidatar a preencher a vaga de herói. A única exigência, ser mais honesto  que os terráqueos e mais humano.  
Emília Goulart





terça-feira, 30 de junho de 2015

Barbarie

                                                                   Barbáries
  Hoje ao folhear as páginas dos jornais, ou nos posicionarmos diante da tela de algum aparelho, nos deparamos com as barbaridades que acontecem diariamente por este mundo. O Brasil está contaminado pela praga da selvageria. Matar já não satisfaz o ser violento, é preciso selar o fato com requintes de crueldade. Pais matam filhos e o inverso também acontece com frequência. Homens e mulheres frustrados nos seus relacionamentos impedem a felicidade de outros atingindo os próprios filhos, com suas sórdidas  e perversas vinganças. Motivo torpe ou falta de motivo pouco importa, estão matando mais. A prioridade é matar. Grande demais é o sofrimento de famílias que perderam seus filhos, irmãos ou pais porque tentaram encontrar um novo rumo para suas vidas.
Nas faculdades muitos jovens que sonham encontrar o tal porvir risonho, através dos estudos e trabalho, acabam apresentados a outras coisas como as drogas. Esses monstros selvagens, agressivos e calculistas, transitam entre as pessoas com suas máscaras de bons meninos, aliciam outros e chamam a isso de demência, para amenizar e tornar as penas ainda mais suaves do que são. Muitos são os advogados (esses sim, dementes) que usam e abusam deste recurso, para livrar traficantes e outros violadores das leis.
 Familiares lamentam diariamente a perda de seus entes queridos nas mãos destes bárbaros sem que as autoridades se manifestem. Como disse um jovem promotor, em uma rede de televisão: “Ou as autoridades tomam uma providência urgente, ou perderemos uma geração inteira de jovens”.
 Loucura é dar liberdade a corruptos e corruptores que lesam uma nação como a nossa; carente de educação, saúde, segurança e tudo o que nos falta desde uma legislação tributária mais justa, menos cruel com quem trabalha. A criminalidade aumenta independente da idade, escolaridade ou classe social. Pagam quirelas a um tirano matador ou com uma porção de drogas que porá um sorriso torto na boca de um drogado.
É esse o valor da vida, para os feitores de leis?
 Se para a barbárie e o trafico, não tem idade, por que deve haver limite para a condenação? Não existe motivo que justifique tirar a vida de outro ou destruir os sonhos dos jovens, levando-os para vícios, e ficar impune aos olhos de uma sociedade explorada e assustada.
Essas barbaridades têm aumentado tanto que as estatísticas as colocaram iguais em números de mortos das guerras e guerrilhas sem sentido que acontecem para enfraquecer um povo e realçar o poder de armamento de outro. As religiões deveriam servir para aplacar esta ira, não para fomentar.
Quanta vida se perde em nome de um Deus que é Único, mas, que o homem teve a ousadia de dividi-lo. O terrorismo não se acalma diante da destruição, não se abala com bombas e não se satisfaz com vidas. Nutri-se de um ódio feroz e insaciável pelo próximo. Assim também agem os criminosos em qualquer situação. Eles têm apenas o desejo de matar, ferir, humilhar e estão em qualquer lugar onde a justiça falha não os alcança.
Emília Goulart                  

terça-feira, 16 de setembro de 2014

                              De moleque para moleque
A poeira da copa ainda não baixou e não vai baixar tão cedo. Em se tratando de futebol a memória do brasileiro é privilegiada.  Alguns ainda lamentam a amarga derrota do Brasil na copa de cinquenta quando perdemos para o Uruguai, também, aqui dentro de casa.
Um senhor de oitenta e alguns anos ao quarto gol da Alemanha, ajoelhou-se e implorou:
—Duas vezes não, meu Deus!
Havia turistas querendo ficar no Brasil. Com certeza desconhecem a nossa realidade. Se pensam que tudo é festa, enganam-se. Logo descobririam que pagamos impostos altíssimos e como contrapartida, não temos saúde, segurança e as escolas não propiciam aos alunos um ensino adequado. Nem mesmo as escolas particulares são eficazes. Não sei se culpa do método utilizado ou do descaso, mas constata-se que há jovens que terminam o segundo grau e não aprenderam sequer as operações fundamentais da matemática.
Presenciei um fato que muito me constrangeu: uma balconista, bonita, educada me atendeu. Comprei quatro botões de R$ 1,25 cada. Vi a moça transpirar. Fui cruel ao vê-la tirar da cartola aquela coisinha mágica capaz de resolver o seu problema. Confesso que me irrita ver a preguiça mental se entregar ao deleite de uma calculadora sem esboçar nenhuma atitude de defesa.  Primeiro sugeri educadamente que ela usasse o cérebro. Ele, tanto quanto o bumbum, as pernas e a cinturinha, precisa de exercício. Ela respondeu que não precisava de exercícios, que era toda artificial. Confesso que não entendi se ela quis brincar, ser grosseira ou não sabia a diferença entre natural e artificial.  Bem, na dúvida sugeri que ela poderia usar o raciocínio.
Primeiro ela riu, depois voltou sua atenção para a maldita calculadora, que a inquiriu:
—Você não vai aceitar a provocação desta velha que aprendeu nos velhos métodos ultrapassados. Ou vai?
Eu compadecida e paciente aguardava a tão esperada conta.
A garota me olha desafiadora, quer me provar que sabe, mas, tenho certeza de que não sabe.
Sinto uma revolta muito grande a me consumir: Malditos, o que estão fazendo com as nossas crianças? Não proporcionar um ensino digno é a forma mais cruel de governar um país.
A menina volta a me olhar. Está transpirando. Guardou a muletinha no bolso e zas... caneta na notinha que eu apresentaria ao caixa . Notei que ela não sabia multiplicar e avisei, a conta esta errada, tente a adição.  Foi pior ela somou: 1,25+1,25+1,25+1,25= 4,28 entrei em choque. De onde ela tirou este resultado?
Gostaria de perguntar aos mestres em que ano do currículo escolar entra as operações básicas da matemática e se tabuada não faz mais parte do currículo?Afinal a calculadora tem razão no meu tempo de escola os métodos eram outros e ninguém passava sem saber. Muita coisa está fora de lugar no Brasil, mas a educação não pode estar assim no patamar da avacalhação!
  O turista viu um país para inglês ver. Nem futebol temos mais,e olha que este esporte era a glória dos brasileiros. Apanhar fora de casa quase todo moleque apanha, mas, apanhar dentro da própria casa é uma humilhação que o tempo não apaga. É que de moleque para moleque eles souberam melhor afastar os (i)móveis e ocupar os espaços.
Nossas crianças ainda não.
Emília Goulart


DE moleque para moleque