Emília Goulart

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Araçatuba, São Paulo, Brazil
Escritora,poetisa, contista,cronista, romancista, artista plástica. Costureira da arte.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

FELIZ 2013


                                                            

 Meus desejos de um Feliz Natal e um próspero ano novo. Mais um ano está chegando ao fim. Como sempre, tudo que finda nos dá a sensação de que poderia ter sido melhor ou que poderíamos ter feito melhor.

Fim de ano, tempo de balanço geral, papel picado vai voar do alto dos edifícios, enquanto engenheiros lançam olhos de águia em busca de espaço para abrigar um novo projeto. Velhas lembranças serão desalojadas. Algumas refugiadas na saudade irão alimentar o acervo individual e incontestável, localizado na mente dos humanos. Outro “Grupo Escrevivência” deverá surgir para combater com suas armas, o “alemão”, aquele clandestino que tenta invadir esse acervo.

Tudo pode ser renovado no próximo ano, mesmo o que foi levado pela acomodação do planeta por nosso desrespeito.

Texto publicado pela internet declara como opinião do advogado Marcio Thomas Bastos, que o julgamento do “mensalão” se tornou fenômeno jurídico tipicamente brasileiro. “A lavagem ficou como jabuticaba, só tem no Brasil.”

Em parte concordo com ele, o Brasil é o único país onde pessoas com a moral política totalmente abalada, têm a coragem de posar para as câmeras com sorriso estampado no rosto. Em alguns lugares do mundo os políticos não suportam conviver com a desonrosa exposição pública de seu mau caráter.  Desde que a rainha Maria Antonieta teve sua cabeça decepada por uma guilhotina, muitos orientais flagrados na desleal ganância, preferiram o suicídio.

Tudo pode ser mudado, a enxurrada de lama que assolou nosso País, também. Acreditamos em mudanças. Não podemos apenas enrolar o tapete sujo e jogar no porão, é preciso dedetizar o porão. O Brasil exige mãos limpas.

Embora as vidas perdidas não possam ser renovadas, há a esperança de que a nação acorde. O mensalão não foi apenas uma lavagem de dinheiro, nem se tratou apenas de corrupção. Foi a falta de respeito com um povo organizado que paga seus impostos, foi verba que poderia ser direcionada à saúde, educação e segurança. Como justificar a falta de recursos que levou à morte tantas pessoas?

O trabalhador precisa trabalhar, a criança estudar, o idoso a tranquilidade de quem trabalhou a vida inteira o sossego para buscar no banco a minguada aposentadoria, bem aquém daquelas proporcionadas por insondáveis benesses incluídas na legislação.

Desejo a todos os brasileiros um Brasil melhor, livre do poder anárquico de bandidos, desejo às crianças do meu Brasil vida longa e junto das suas famílias, possam comemorar o Natal com a confiança de que no próximo ano haverá vagas escolares para todos, que os hospitais tenham leitos suficientes para os que precisam, e o sonho da casa própria se realize. Que seja decretado a todo bandido pagar na cadeia a pena por seus delitos, pois a regalia da “saidinha”, não é direito concedido às vitimas dos crimes de morte, essas não voltarão a passar um Natal ao lado dos seus familiares.

Roubar a educação das crianças é riscar o futuro de uma nação.

Premiar com insegurança os trabalhadores é decretar depressão coletiva ao povo do país. Posar de cidadãos honestos para um povo humilde que busca nas instituições públicas recursos para suas mazelas e não encontram, é genocídio.

Oh Deus, como pode tão poucos fazerem tantos estragos?

Porém, às vésperas das festividades de final de ano, eu vislumbro uma luz no fim do túnel. Esta crônica natalina saiu do tom porque, meu desejo de ver o Brasil livre desses bandalhos não é utopia, podemos sim, fazer deste país o melhor lugar do mundo.

Feliz Natal e vamos fazer de 2013 um ano melhor.

Emília Goulart é membro da UBE, Grupo Experimental e Cia dos blogueiros

terça-feira, 23 de outubro de 2012

CANTO MORNO


Depois de um período de euforia que precede ao lançamento de mais um livro, e desta vez com o apoio do Programa de Fomento à Cultura da Prefeitura Municipal de Araçatuba, recolhi-me ao canto morno de onde posso acompanhar os primeiros passos de alguns leitores por este Descaminho dos Anjos.
Há um canto morno? O leitor deve se perguntar. Se há não foi revelado no livro, nele os cantos são escuros e frios.
Em algum lugar dentro de nós existe um canto morno revestido de lembranças almofadadas. Raquel, a protagonista, encontrou este canto no fundo sombrio de um corredor estranho.
Para mim, o canto morno é o lugar ideal para chocar meus pensamentos, voltar ao velho bule de café que se mantém aquecido sobre o fogão de lenha, longe da pressão da garrafa térmica. Ou me deitar na rede que ainda balança amarrada em duas mangueiras.
Nas minhas raízes,  onde fico a cavoucar, me vejo observando meu avô sentado no toco de madeira recolhendo a baba que escorre num canto da boca, enquanto valoriza a cria da vaquinha Boneca.
Mas às vezes meu canto morno é tão acolhedor que nele a preguiça encontra guarida. Vou deixá-la assim, enquanto recarrego as armas e preparo novos soldados. Outra batalha está começando. Quando o cantinho morno começa esquentar é hora de debruçar sobre o pelego e me agarrar nas crinas do baio.
Nossa! A baio(ca)neta em punho! Agora estou pronta para galopar e forçar meus soldados a abandonarem as trincheiras.
Por terras onde nunca andei posso voar. Mergulhar em labirintos insondáveis do universo humano onde ações desumanas transgridem o bem. Vou dar vidas, dirigir destinos, ser a criadora absoluta de vilões e protagonistas.
Quando cansada estou de brincar de Deus vou para meu canto morno, me encontrar com personagens abandonados, recriar casarões demolidos, restaurar castelos de areia e jogar paciência com a intolerância que nutre os preconceitos.
Quando na minha cama, o sono que busco para renovar a energia que se consumiu com os afazeres do dia, tem pouco tempo para mim. Então  passo o resto da noite esperando habeas corpus para o meu sono que se alonga naquela brincadeira de Pega Ladrão.
O dia me surpreende com fatos novos, por mais que eu elabore a minha agenda, não passo de um personagem criado e manipulado pelo Divino. Vou indo. Para onde? Não sei. Não criei meu personagem e Aquele que me criou ainda não revelou o final.
E daí? Alguns personagens vão morrer? Perguntou-me minha querida amiga e leitora Tina.
Sim, o Homem lá de cima disse: “do pó vieste, ao pó tornarás”. Não gosto de contrariá-Lo Mesmo porque a morte nem sempre é antagonista.
Posso tudo, nas páginas que escrevo. Altero o final na última hora. Aprendi com o grande mestre Fiódor Dostoiévski que um bom romance tem crime e castigo. Com outro, o grande Liev Tolstoí que a paz só faz sentido se houver guerra. Não sei o rumo desta nova história que me propus a criar. Sei apenas que não vou permitir que o vento a leve sem que a vida e a morte se completem.
Emilia Goulart  é Membro da Cia dos blogueiros, da UBE e Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

DESCAMINHO DO ANJOS - POR RITA LAVOYER


DESCAMINHO DOS ANJOS

Quantos caminhos atravessam os nossos? De quantos nos desviamos, quando podemos? E quando não conseguimos tal feito, quem se atreve a apontar o anjo e o demônio numa relação de iguais, salvando um ou condenando outro?

A mão que apedreja é a mesma que tapa os olhos, quando o portador dela não  quer ver o que é explícito,  para evitar comprometimentos. Melhor, já que da boca sai o veneno do homem. Quer arma mais eficiente?

Então vamos brincar de amarelinha. De preferência da cor vermelha que enfeita o céu da boca, da boca do inferno: o nosso, que quando erramos a jogada, diante das intempéries  do nosso dia a dia,  sem perdão, somos condenados a recomeçar do poço a que nos submetemos para não perdermos o jogo, o jogo da sobrevivência.

Nesta brincadeira, céu e inferno confundem-se, iludindo-nos com seus aspectos nebulosos, dentro dos quais mergulhamos nossas confianças, equilibrando nossa sorte nos pratos injustos da balança aferida por animais travestidos de togas umedecidas nos cios antecipados das virgens condenadas ao abate, mas um abate que não mata, não mata a fome do homem, dos homens que tinham nas mãos o poder, devendo defender os que estavam sob suas guardas, mas usavam-no como estatuto para satisfazerem os seus desejos, gozando, cada qual ao seu modo, nas casas de uma brincadeira infantil machucada com as armas da virilidade de quem se pretende macho!

Os homens desta brincadeira deixaram marcas em suas presas, fortalecendo nelas as naturezas femininas, possibilitando-as, elas mesmas, os seus partos, subtraindo-se do céu para o inferno: realidade que suplica esclarecimento; e elas, cada uma dentro do seu papel, mostram como vieram e pra que!

Judith e Dora estão para o bicho que pega; outro que come. Cada uma trilhou o seu caminho, o desfecho coube a elas esboçarem. Enquanto uma rascunhava, outra ensaiava  no palco da vida, o que Nilzona, prospecto de prostituta,  fazia com profissionalismo: promover prazeres numa casa onde acolhia mulheres consumidas pela vida, salvando-as, contrapondo-se a Ana, imagem de  amor e conforto que irradia as páginas marcadas por ela. 

Laura e Raquel, mãe e filha respectivamente, desafiam os conflitos existentes entre elas com um silêncio mortal que as consome diante da covarde imagem paterna  que Aldo insiste em manter para deixar viva uma ilusão. 

Isso é apenas um pouco de tudo que pode ser dito sobre Descaminho dos Anjos, sua amarelinha, seu céu, seu inferno, seus jogadores e suas pedras... 

Se você é uma mulher que sobrevive como mulher da vida, entre em Descaminhos dos Anjos e encontre ali a sua casa.

Se você é uma mãe meretriz e deixou que sua filha enveredasse pelo mesmo caminho que o seu, jogue em Descaminho dos Anjos e encontre ali a sua condição.

Se você é um homem que paga qualquer preço pelo prazer, pague também por Descaminho dos Anjos e receba ali o seu troco.

Se você é um da Lei e se corrompe, pensando que a Divindade é cega, surrupie um Descaminho dos Anjos. Querendo disfarçar a sua carapuça, compre-o então.

Se você é um religioso, que com uma mão oferece a hóstia e enfia a outra na calcinha da criança, comungue Descaminho dos Anjos e confesse nele os seus pecados.

Se você é  um político que faz uso do cargo que ocupa para beneficiar-se de sexo grátis, vote em Descaminho dos Anjos e eleja em cada página sua plataforma de sacanagem.

Se você é uma amiga que cobra caro da outra a quem ajudou, trapaceando-a para vê-la sempre na casa do inferno, faça como a Dora, desfaça como  Raquel e se enxergue no espelho que ambas refletem.

O narrador de Descaminho dos Anjos é inconformado. No fluxo de sua consciência vai amargando cada gota já provada  daquela realidade escrita por Emília Goulart, que faz de suas obras um relato artístico do cotidiano dentro do qual a mulher está inserida.

Numa época em que à mulher não era dado nenhum crédito, a não ser o de objeto de consumo, o Romance atravessa os caminhos possíveis e impossíveis, concretizando-se, estabelecendo com o leitor um vínculo verdadeiro, pois tudo que está escrito em Descaminho dos Anjos é a mais pura verdade da arte Literária que Emília Goulart propõe com talento. 

Se você sente horror a sexo infantil, vá buscar o seu Descaminho dos Anjos.  Pegue nele a sua pedra e depois vamos brincar de amarelinha, porque o Bicho-papão não está sobre o telhado nem no céu, muito menos no inferno. Ele está...
Descubra!


                                                                                                          Rita Lavoyer

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ROMANCE - DESCAMINHO DOS ANJOS



Caros leitores amigos, estou muito feliz por conseguir, mais uma vez, transformar um dos meus sonhos literários em realidade: Descaminho dos Anjos.

 Permita-me compartilhá-lo com você?

Obrigada

Emília Goulart

domingo, 26 de agosto de 2012

CONFIDÊNCIAS DE MÃE


Quem costuma ler as crônicas aqui neste espaço do Soletrando espera sempre encontrar a suavidade de um texto literário. Quando lerem  a sigla dos Transportes Urbanos de Araçatuba-  TUA, com certeza irão até dizer:
— Opa, mas isto deveria estar na Coluna dos Leitores!
 Embora a TUA desfrute constantemente daquele espaço com a altivez de uma dama, visto que jamais muda suas atitudes e desculpas, hoje ela é citada em crônica no Soletrando e prestando um serviço de utilidade pública, seu espaço se destina com objetividade a Terapias Urbanas. Não há terapia melhor que o ouvido de um amigo que o ouça. Apenas o ouça, mesmo que seja por poucos minutos.
Se você, como eu, gosta de escrever, vá de TUA. Ela transporta uma fonte inesgotável de temas, uns que nos fazem rir, outros nos fazem chorar, mas este aqui me deixou muito indignada. Gostaria de ser “gente grande”, daquelas que os legisladores leem, para que eles tivessem uma ideia de como anda a humilde família brasileira. Gostaria de pedir aos legisladores para pensarem um pouco. Que proibindo os pais de educarem da forma deles seus filhos, afastando as crianças de quaisquer tipo de trabalho, não serão alcançados os objetivos para os quais as leis têm sido criadas.  
Não suporto ouvir pais dizerem que seus filhos os desrespeitaram, mas sei que nem todos os pais merecem respeito. Porém, este não parece ser o caso de uma conversa que ouvi dentro de um coletivo.
Confidência de mãe para uma vizinha antiga, que se mudara e perguntou pelos seus filhos. Ela respondeu:
— Fulaninho ia bem, era um bom menino, tirava só notas boas, terminou o quinto ano com onze anos. Nesta idade começou a desejar coisas que meu ordenado e o do pai não davam para comprar. Aos doze, quis trabalhar. Ele mesmo foi falar com o tio que tem um pequeno comércio. Mais os fiscais, desses que se dizem protetores da infância e da juventude, não deram sossego para meu cunhado. E o menino trabalhava, mas continuava com os estudos.
Continuou ela: Hoje...ai meu Deus! Vou encurtar que o ônibus está chegando ao meu ponto. Eu dou graças a Deus quando meu filho está internado numa dessas casas que dizem recuperar drogados, pelo menos enquanto ele lá está, tenho um pouco de paz para cuidar dos outros dois.
Às vezes tenho um desanimo tão grande, quando o menor me diz ‘vou fazer a mesma coisa que o fulaninho, você não pode me bater mesmo’ e minha menina completa:
—Não pode mesmo! Se você fizer eu mesma vou te denunciar. Pode?
Tchau, reze por mim amiga!
Meu Deus! Tomaram das mãos dos pais o direito de educar, das crianças o de trabalhar e não souberam o que fazer. Será que esses defensores das crianças e adolescentes, pagos pelo Estado têm filhos? Ou, me desculpem a franqueza, são todos traficantes do mal?
                   Emília Goulart
Membro do Grupo Experimental da AAL e Cia dos blogueiros

terça-feira, 21 de agosto de 2012

AMADO JORGE e seu CAPITÃES DA AREIA


Vivo repetindo e acredito no que digo, não dá para ser escritor aquele que não lê. Pode- -se até escrever um poema, uma crônica e com sorte escrever um conto, mas sem ter lido outros autores, não teríamos ideia de como classificar os textos.
Fui pega na minha armadilha. Convidada a escrever sobre Jorge Amado senti um suor frio e pegajoso banhar minhas mãos. Da vasta obra deste escritor eu havia lido tão somente Capitães da Areia, isto porque apresentaram a obra aos meus filhos na escola e, diante das narrações que me fizeram quis saber do que  se tratava o livro. Gostei! Achei mesmo que saber como viviam os meninos de rua na Bahia não era tão ruim assim. Fiquei neste. Outras leituras me instigaram mais. Agora, às pressas, reli a Literatura Comentada de Jorge Amado e lamento não ter lido mais de sua obra.
“Escrever para mim é uma coisa que faz parte, que está dentro de mim, é a única coisa que eu sei fazer. É uma coisa que vem das minhas entranhas, é uma necessidade: eu sinto que tenho de fazer aquilo. Mas também é um prazer e eu me divirto ao escrever. Me cansa, me esgota, mas eu me divirto...eu não sei fazer nada que não me divirta”.
Essas palavras que tão bem exprimem o que sinto são de Jorge Amado, que nasceu na Bahia em 10 de Agosto de 1912 com o ofício de escrever a percorrer suas veias, até que um dia se derramou sobre as páginas da revista Luva onde fez sua estreia literária com o Poema ou Prosa, uma sátira aos poemas da época.
Seu primeiro livro O País do Carnaval, foi um sucesso,  mas como todo autor estreante enfrentou com paciência baiana que o editor Schmidt, sentado em sua imensa cadeira, se dignasse um dia a abrir o seu livro e revela para a Literatura Comentada: “Eu ia lá na editora, muito tímido e perguntava do livro. Ele respondia ‘estou lendo, estou gostando muito, já estou na página 70’. Três dias depois eu voltava e ele dizia estou gostando muito, muito, já estou na página 30”.
Jorge Amado foi um dos mais famosos escritores brasileiros com livros traduzidos. Sonhou viver do que escreveria e fez da arte literária seu oficio.
Ao ser procurado para dar uma entrevista para a organização de Literatura comentada, ele disse não gostar de falar de si mesmo, ao que Antônio Roberto Espinosa argumentou: “Mas o homem Jorge Amado é um escritor, portanto é normal que o público tenha curiosidade sobre o autor lido por mais de 20 milhões de pessoas no Brasil e no exterior. Especialmente os jovens que não viveram tudo isso que você escreveu”.
“ Está bem eu concordo. Estou às ordens.Toca o bonde”. Foi esta uma das melhores entrevista com Jorge Amado que li até hoje. Chego mesmo a pensar que nunca ele falou tanto de si mesmo como naquela entrevista, onde vou buscar abertura para me intrometer na vida dele. Suas ideias sobre literatura não eram muito claras. O melhor de Jorge Amado encontra-se em seus romances épicos retratando os grandes latifúndios baianos.  O escritor conta como eram as manobras dos coronéis para se apossarem das matas do Sequeiro Grande, envolvendo pessoas de diferentes níveis em roubos descarados e traições. São Jorge do Ilhéus continua o drama de Terra do Sem Fim. As obras se completam, não há herói individual, mas esta cumplicidade termina com as obras populares. Jorge Amado abandona a literatura engajada e adentra as cidades baianas mostrando todo seu lirismo.

Poeta do amor, como se autodefine, começou escrevendo crônicas de costumes, contando casos picantes e escândalos domésticos, alguns com certo nível em outros ele resvala pelo grotesco.
Contudo, Jorge Amado será sempre lembrado por brasileiros e estrangeiros  e,  principalmente,  muito amado pelos baianos.

Emilia Goulart é Membro do Grupo Experimental, da UBE e da Cia dos blogueiros

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A ÚLTIMA PASSARELA

Emília Goulart *

   Caminhou pelo quarto quase vazio, olhou para algumas peças de roupas amontoadas na cadeira, outras esparramadas pelo chão.
 O casal acabava de comprar o guarda-roupa. Madeira pura, ela garantiu, tentou com esse argumento, conseguir mais alguns trocados. A moça olhou para ela, depois para o noivo, que estava ocupado em descobrir um defeito que reforçasse a pechincha.
 — É madeira de lei, pode examinar bem.
O noivo percebendo a intenção reforçou — Mesmo que fosse de ouro, nem um tostão mais.
Sem outras palavras, a vendedora estendeu a mão. As manchas senis explodiram em gargalhadas.                         
Ao saírem a moça sussurrou:— Alzhaimer!
— Não, abstinência alcoólica.
Restavam ainda a cama, uma mesinha redonda, a cadeira quebrada, nada de valor. Olhou compadecida, para os velhos trastes, enquanto do espelho algumas imagens relâmpago, despediram-se dela para sempre junto com o velho guardaroupa
Sentou-se na cama, desolada com a aparência de tudo aquilo que um dia foi seu ninho de amor. Mergulhou num amontoado de fotos, separou algumas. Uma linda moça usando maiô, uma capa e um cetro, tudo indicando coroação de “miss”; numa outra foto, um casamento foi separado violentamente e os restos não sabia porque estavam reunidos em um envelope. Sucatas de paixões, tempo perdido, vícios arrastados, por tudo que valeu a pena, era agora penalizada. Chacoalhou a velha colcha, jogando as lembranças no chão empoeirado do quarto, com esforço, usou a ponta dos pés para pisotear os destroços. Guardou com carinho apenas a foto da criança que foi levada pela mão de uma mulher.
— Será que ainda vive?
Não queria acordar os vivos nem ressuscitar os mortos. Não valeria a pena.
 Amarrado na ponta do lenço, tudo que restou dos seus tesouros: de alguns amantes ela recebera flores, de outros perfumes, seu preço mais alto eram  jóias que, levadas a penhores sustentariam sua velhice.
Desatou o nó forte, com ajuda da ponta da tesoura, não sem  antes recorrer aos dentes, mas os  cacos que teimavam em doer, agora, foram cuspidos longe. Riu ao se ver mais banguela no pequeno espelho de bolsa que sobrara, e pensar que de nada adiantava chorar. Examinou a quinquilharia que restava, soltou um palavrão, depois de um gemido:
—Velhice duradoura e cínica, ficou para me assistir até o fim.
Um oficial de justiça bate forte na porta. Ela ajeita como pode o cabelo, passa um batom nos lábios e se prepara para fazer o que sempre fez tão bem. Olha para si e pensa pedir um mês para ficar por ali. Não precisará o juiz saber e ela o fará ir às nuvens. Não tem dúvidas quanto aos estragos causados pelo tempo, mas tentará, nada mais tem a perder. Sabe que seu poder de sedução está tão falido quanto sua situação financeira, mesmo assim vai tentar.  Dá um passo decidida, o moço bate outra vez. Refreia seu impulso, e analisa melhor a situação: Não deve explorar, uma semana já estará bom. Dá outro passo, quase cai. Tem que manter a altivez, ou ele pode achar que ela não vale nem três dias.
— Droga, não valho mesmo. Os trôpegos passos confirma sua decadência.  O oficial insiste , ela raivosa grita:
— Já vou, seu filho de uma...
 Não, ela não abriria mão do único bem que lhe restara, relutava em perder a educação, se bem que às vezes tinha vontade de mandar todos para o inferno.
— A senhora precisa assinar aqui, ao lado da assinatura da juíza.
 Era a ordem para desocupar o imóvel penhorado, para quitar dívidas. — ela, orgulhosa, assina ao lado do nome da juíza. Agora sabia onde andava a menina do retrato, mas não iria acordar os vivos. O oficial ignorou suas lagrimas, e sequer notou seu sorriso de felicidade.
Apoiada na sua bengala, arrastou uma pequena valise para a rua, junto ao peito sob a faixa de miss, levava a foto de sua filhinha e a certeza de que fizera o melhor.
  Foi assim feliz que desfilou na última passarela.

                                   Emília Goulart é membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras, da UBE e da Cia dos Blogueiros

quinta-feira, 10 de maio de 2012

CHAMAS QUE SE APAGAM

Estou bravamente lutando com uma temporada de seca. O céu promete que vai chover, mas um redemoinho chega levantando poeira e carrega minha inspiração. Sei que é uma estação parecida com o outono, já passei por outras. As palavras estão secas e caem como as folhas, quebradiças. A caneta brinca com pequenos rabiscos e textos inacabados são dispensados no cesto de lixo.
Minha inspiração foi ceifada por uma serra. O cajueiro veio abaixo, e o meu amigo e confidente bem-te-vi procurou outro lugar para se abrigar.
Inspiração é um fantasma que chega, se insinua e desaparece. Seu tempo é fugaz e, se não for capturada, com a rapidez de um raio escapa.
 Um casal de apaixonados morre no primeiro golpe da caneta, abatidos por um prosador, ou poeta, em uma estação de outono.
Mais um papel amassado que vai parar no lixo.
Em dias estéreis um cesto cheio desses papéis rabiscados pode gerar uma piada prosaica a circular pelo mundo sem que ninguém assine a paternidade.
Para evitar este constrangedor fim ao meu amontoado de papéis, este meu cesto de lixo jamais será reciclado. Vou levá-lo ao quintal e um palito de fósforo fará arder a paixão que com minha caneta não consegui.
A chama clareia a escuridão e posso observar melhor o menino que saiu para comprar pão e não voltou. A menina que como ninguém sentiu a adrenalina circular no corpo em um brinquedo super seguro. Ela não sobreviveu para nos contar como é. Também vejo passar por aquele clarão a outra menina que foi ver o mar pela primeira vez e não voltou para casa contando conchinhas e não falará pra ninguém que o mar é lindo. Chamas que se apagam.
Tantas histórias que a vida não terminou de escrever.
Não tenho o direito de reclamar da minha seca improdutiva. Melhor assim, que regar com o sangue destas crianças as páginas que amassei.
Existe quem faz. Há quem arme e com tudo isso cria um circo, e outros que exploram por tempos sem fim todos os acontecimentos tristes que a humanidade insensata produz.
Eu vou ficar com a minha seca, até o cajueiro crescer e meu bem-te-vi voltar para brincar de esconde-esconde entre as folhas coloridas, depois saltitante vir comer minhas migalhas de pão.
Enquanto o cajueiro não vigora e a inspiração não floresce, eu mais uma vez vou reler e reescrever o Descaminho dos Anjos, que espera há seis anos por um ponto final. Talvez porque a cada dia os descaminhos se multiplicam e muitas crianças não retornam.
Emília Goulart é membro da UBE União Brasileira de, do Grupo Experimental da AAL e da Cia dos blogueiros.

terça-feira, 17 de abril de 2012

IDOSO NÃO É PALAVRÃO

                                   
Ser idoso é carregar da juventude muitos erros e acertos sem se queixar do peso, é valsar com a idade sem pisar na dama.

A velhice é uma bruxa que voa por aí, a procura de um idoso que parou de sonhar e nele pousa para transformá-lo em velho. Daqueles que puxam uma carroça de mau humor.
 A longevidade de uma vida é um prêmio concedido àqueles que, com arte, conseguiram viver os bons e os maus momentos. A cartola pode estar cheia de lenços negros e a mágica consiste em colorir antes de retirá-los. As lembranças ruins precisam ser refinadas na memória e isso leva um bom tempo. Muitos jovens perdem cedo a vida sem aprender dela a grande mágica. 
   
             Ser idoso é aceitar, sem rusgas, as rugas que o tempo acumula. Ensinar aos jovens que andar sobre o fio do tempo, sem rede de proteção, não é sabedoria. O idoso sabe que o ponto de equilíbrio, entre os bons e maus momentos, é o bom humor. Por isso, ao olhar-se no espelho e ver sua embalagem amassada, ele sorri com a certeza de que o produto não foi danificado.
Jamais tente aprender com um velho qualquer coisa. Ele é o senhor do mau humor e da ingratidão.

Poucos assumem serem velhos. Recusam-se a aceitar a semelhança com o outro, quer seja nas atitudes ou na aparência.


Não se assustem com a meia idade, pois a cada ano ela avança um pouco mais.
Se as mesmas histórias narradas por um idoso te irritarem, atente, pois está se tornando um velho. Com o tempo, evitará reuniões familiares e sociais, pois a proximidade provoca comparações. Velho não suporta espelho. Quer esquecer a própria idade.

 Depois, com a alma enrugada, vai desfazendo os laços com os quais a vida o presenteou: sua família e seus amigos. Isola-se. Cuidado, velho! Espelho é o conta-gotas do tempo, e você, o frasco que só se completa com a morte. Idoso, não é palavrão, é medalha que devemos carregar de peito aberto.

            Deixe vir as rugas da face, mas não permita que elas invadam a alma, por que  dessas as plásticas não cuidam.

Eu queria fazer uma crônica sobre o jovem: belo, viçoso, com uma longa estrada a percorrer, juntando tudo de bom que a vida tem. O tempo é seu amigo, mas se dele não cuida, ele foge. A juventude passa por nós com a velocidade de um furacão e a velhice caminha ao nosso lado com passos de tartaruga. Quanto a mim quero somar anos a minha idade. Quero ser idosa.

            Meu caminhar nunca é solitário, ando com as lembranças do passado e convivo em paz com meu dia  a dia.

           Busco nas ruas figuras do cotidiano, para compor meus textos e sempre encontro os personagens que procuro.
           Chamou-me a atenção, um senhor com um “topetinho de Neymar”.  Com uma bola nos pés, solto na sua idade avançada, caminhando ao lado de um jovem. O jovem apressado controlava os passos. O senhor não tinha pressa, voltava a bola como gostaria de voltar o tempo. Na vida quantos passos importantes não foram dados... quantos beijos técnicos foram trocados. E o amor verdadeiro como foi tratado?

          Certamente, aquele senhor idoso, teria tanto para dizer ao jovem. Mas este, apressado, tinha um acordo com o relógio e hora marcada com a pressa. De repente, algumas palavras apressadas romperam o silêncio.

          — Vô, apresse o passo!

          — Apresse tu! Por que eu estou voltando.

          Sim, há uma hora na vida que o idoso volta para apagar os incêndios que propagou ou para colher o que semeou.

           Os velhos não voltam. Estacionam à margem da vida, sem um sorriso que os acaricie.



Emilia Goulart é escritora, membro da UBE (União Brasileira dos Escritores), da Cia dos blogueiros
 e do Grupo Experimental AAL (Academia Araçatubense de Letras)



quinta-feira, 15 de março de 2012

DESGARRADA



Desgarrada

Quero escrever poemas.
Visitar-me por dentro,
Como só os poetas são capazes.
Meus textos são prosas.
Abandono-me às margens.
Minha alma se esconde nas entrelinhas,
Nos cantos dos contos.
Não raro se perde,
No meio de um romance.
Morre de mal “crônica”.
Oh, poesia, resgata-me deste poço profundo de prosa.
Com suas garras poderosas, leva-me.
Deixa-me aterrissar inteira em nuvens poéticas.

Emília Goulart é Membro do Grupo Experimental, Cia dos Blogueiros e UBE. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

BEM-TE-VI



Meu Bem-te-vi! Cá estou eu novamente com minhas migalhas de pão e minhas palavras ao vento. Eu sei que nem só de pão vive o homem, mas, pensei que por ser um bem-te-vi o pão te bastaria. Percebo que me enganei. Gostaria de ter acordado com teu piar, mas não, hoje amanheceste calado. Atrasaste um pouco. Não tanto quanto nossas morosas leis. Também, não és cego como a justiça. Há tempos te ouço repetir: “bem te vi....bem te vi”...serão os legisladores surdos?
Hoje você sequer recolheu alimentos para levar ao ninho.
               O quê aconteceu? Seu ninho deslizou cajueiro abaixo devido a chuva?
Há dias em que também fico assim melancólica e posso parecer: pessimista ou saudosista. Já me denominaram com estes qualificativos e outros mais.
Será pessimismo assumir que caminhamos para o futuro carregando as leviandades e barbáries do passado? Quando as saídas temporárias não mais  os satisfizerem, seremos lançados nas jaulas dos leões para saciar sua fome de liberdade?
É sinal de mau gosto não encontrar entretenimento nos meios de comunicações? Estou ultrapassada por pensar que a família deve estar em primeiro lugar e que Deus não pode ser vendido nas bancas de feiras livres, denominadas TVs? Que frutas saudáveis não são recheadas com silicone?
Será mesmo um retrocesso crianças trabalharem em vez de se drogarem ou perambularem a esmo sem encontrarem um sentido para suas vidas?
Sou saudosista ao lembrar as palavras do meu avô: “Um pai que não educa seus filhos permite que a vida os puna”. Este educar, que algumas vezes esteve carregado de exageros, estava errado? Estando errado como se explica o fato dele ter criado doze filhos educados e honrados?
Hoje, Bem-te-vi, a complacência tem lotado as prisões e entregue muitos bons jovens, com futuros promissores, aos traficantes.
Sabe... Bem-te-vi, eu gosto de ficar tomando o sol da manhã, fazendo perguntas sem obter respostas, comendo a poeira do gado que só passa nas minhas lembranças e ouvindo o teu piar. Você não me constrange nem me reprime. Entre suas tristes penas carrega a saudade da mata. A mesma que te protegia da crueldade dos homens.
 Vá! Come estas migalhas e voe para o cajueiro que te resta. Nele construa seu novo ninho porque outros temporais virão.
O tempo em nada te mudou. Tua roupa continua a mesma. Canta o repertório de sempre e ninguém diz que este verso que te vem das raízes está fora de moda.
                  Bem-te-vi ficaria aqui por horas te falando sobre tantas coisas; que uma humanidade sadia pode construir uma sociedade melhor, que uma justiça menos cega pode tornar o mundo mais justo, que menos dinheiro desviado proporcionaria mais saúde e educação, que com menos ganância e mais criatividade se produziriam melhores programas para as emissoras de televisão, mais educativos e menos vulgares, dignos trabalhos televisivos. Tantos quês me vêm à mente que não caberiam aqui neste espaço.
Nossa... Bem-te-vi! Você já vai? Cansou-se de me ouvir?
Ah... Tudo bem! Entendi! Você tem um lar para reconstruir. Então boa sorte. Não se esqueça de providenciar todos os meios de segurança. Fique ligado Bem-te-vi, qualquer descuido pode ser fatal. A Páscoa se aproxima e com ela nova temporada de caça será decretada. No carnaval tome cuidado nas estradas, a lei seca vai estar molhada e escorregadia.
Quem sabe um dia eu comece a piar; você a falar, os legisladores a ouvir, a justiça a enxergar, os trabalhadores a comemorarem as datas festivas em liberdade e que os jornais, sem notícias ruins, liberem mais espaço para a poesia.


Emília Goulart
Escritora da UBE e Membro do Grupo Experimental da AAL

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DEVOLVA O CONTROLE

                                                                                      
Se alguém encontrar o controle remoto deste planeta, por favor, devolva com urgência ao seu legítimo dono. Está mais do que provado que perdemos o controle. Por favor, atendam ao meu pedido, antes que Ele descubra como somos indignos de um planeta tão belo.

Cheguei até aqui e foram me ensinando coisas novas. Andar com minhas pernas foi uma. Alguém me queria aqui, mas não estava disposto a me carregar a vida inteira. Até ai, tudo bem! Fui bem cuidada não me queixo. Recebi boa educação, ensino religioso e muito amor. Depois acreditei que assim como os pássaros eu poderia voar. Triste engano, que me deixou muitas cicatrizes. Depois de algumas quedas aprendi a cair em pé, mas não desisti de voar. Andei por vários caminhos. Em alguns, encontrei pessoas desiludidas que voltavam procurando saída, pois os belos caminhos escolhidos ocultavam armadilhas e as saídas fechadas pelas drogas não tinham a sinalização de pare.  Outros, sem a mesma sensibilidade, simplesmente não voltaram.

               Galileu disse que a Terra é redonda, que caminhando em linha reta chegaremos ao ponto de partida. Não quero o ponto de partida, eu quero é encontrar uma saída para uma sociedade mal resolvida, origem principal de crimes e decepções.
Mas cadê a saída? Há certas situações que não têm saída. Qual caminho, então, Senhor? Se voltarmos no tempo encontramos Abel e Caim, triste exemplo para a humanidade. Se continuo Te encontro pregado na cruz. O que prova que o homem, realmente, não sabe o que faz. Caminhar ou ficar parada?

Vem até mim, Senhor, e guia-me! Não me sinto um habitante na Terra, me sinto posse. Estou perdida no meio do nada. Meu planeta é redondo... não tem fim, nem começo. Esta terra é movediça, suga o meu âmago com a sua gravidade. Sei que deve ter um caminho. Será que o escondeu sob a geleira e que iremos encontrá-lo quando ela se desfizer totalmente?

Nasce um novo ano e nele adentro sem saber o caminho. Além da linha do horizonte há um abismo. Uma força estranha me conduz e eu sigo com meus disfarces para escapar das armadilhas preparadas pelo ser humano. Pelos caminhos onde piso o perigo me espreita. Então Senhor, uma metamorfose acontece e me torno permissiva e tolerante com a sociedade. Todas as minhas certezas são dúvidas. Afinal, para que livre arbítrio se não sou dona das minhas vontades, circunstâncias me levam, eu apenas me engano.

               Sou tua serva, Senhor! Faça em mim segundo a Tua vontade! Não dou um passo sem que Tu queiras, então não me soltes, pois não me seguro. Sem Ti cometo muitos erros, pois não encontro o caminho.
A bússola que me deste enlouqueceu ou este planeta saiu do eixo?
Já não me queixo, apenas questiono. Será que Tu perdeste a autoridade? O controle da gravidade te caiu das mãos?
Senhor me encontre, pois diante de tantos caminhos, me perdi de Ti.


Emília Goulart é membro da UBE,  do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras e da Cia dos blogueiros