Emília Goulart

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Araçatuba, São Paulo, Brazil
Escritora,poetisa, contista,cronista, romancista, artista plástica. Costureira da arte.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DEVOLVA O CONTROLE

                                                                                      
Se alguém encontrar o controle remoto deste planeta, por favor, devolva com urgência ao seu legítimo dono. Está mais do que provado que perdemos o controle. Por favor, atendam ao meu pedido, antes que Ele descubra como somos indignos de um planeta tão belo.

Cheguei até aqui e foram me ensinando coisas novas. Andar com minhas pernas foi uma. Alguém me queria aqui, mas não estava disposto a me carregar a vida inteira. Até ai, tudo bem! Fui bem cuidada não me queixo. Recebi boa educação, ensino religioso e muito amor. Depois acreditei que assim como os pássaros eu poderia voar. Triste engano, que me deixou muitas cicatrizes. Depois de algumas quedas aprendi a cair em pé, mas não desisti de voar. Andei por vários caminhos. Em alguns, encontrei pessoas desiludidas que voltavam procurando saída, pois os belos caminhos escolhidos ocultavam armadilhas e as saídas fechadas pelas drogas não tinham a sinalização de pare.  Outros, sem a mesma sensibilidade, simplesmente não voltaram.

               Galileu disse que a Terra é redonda, que caminhando em linha reta chegaremos ao ponto de partida. Não quero o ponto de partida, eu quero é encontrar uma saída para uma sociedade mal resolvida, origem principal de crimes e decepções.
Mas cadê a saída? Há certas situações que não têm saída. Qual caminho, então, Senhor? Se voltarmos no tempo encontramos Abel e Caim, triste exemplo para a humanidade. Se continuo Te encontro pregado na cruz. O que prova que o homem, realmente, não sabe o que faz. Caminhar ou ficar parada?

Vem até mim, Senhor, e guia-me! Não me sinto um habitante na Terra, me sinto posse. Estou perdida no meio do nada. Meu planeta é redondo... não tem fim, nem começo. Esta terra é movediça, suga o meu âmago com a sua gravidade. Sei que deve ter um caminho. Será que o escondeu sob a geleira e que iremos encontrá-lo quando ela se desfizer totalmente?

Nasce um novo ano e nele adentro sem saber o caminho. Além da linha do horizonte há um abismo. Uma força estranha me conduz e eu sigo com meus disfarces para escapar das armadilhas preparadas pelo ser humano. Pelos caminhos onde piso o perigo me espreita. Então Senhor, uma metamorfose acontece e me torno permissiva e tolerante com a sociedade. Todas as minhas certezas são dúvidas. Afinal, para que livre arbítrio se não sou dona das minhas vontades, circunstâncias me levam, eu apenas me engano.

               Sou tua serva, Senhor! Faça em mim segundo a Tua vontade! Não dou um passo sem que Tu queiras, então não me soltes, pois não me seguro. Sem Ti cometo muitos erros, pois não encontro o caminho.
A bússola que me deste enlouqueceu ou este planeta saiu do eixo?
Já não me queixo, apenas questiono. Será que Tu perdeste a autoridade? O controle da gravidade te caiu das mãos?
Senhor me encontre, pois diante de tantos caminhos, me perdi de Ti.


Emília Goulart é membro da UBE,  do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras e da Cia dos blogueiros