Emília Goulart

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Araçatuba, São Paulo, Brazil
Escritora,poetisa, contista,cronista, romancista, artista plástica. Costureira da arte.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ROMANCE - DESCAMINHO DOS ANJOS



Caros leitores amigos, estou muito feliz por conseguir, mais uma vez, transformar um dos meus sonhos literários em realidade: Descaminho dos Anjos.

 Permita-me compartilhá-lo com você?

Obrigada

Emília Goulart

domingo, 26 de agosto de 2012

CONFIDÊNCIAS DE MÃE


Quem costuma ler as crônicas aqui neste espaço do Soletrando espera sempre encontrar a suavidade de um texto literário. Quando lerem  a sigla dos Transportes Urbanos de Araçatuba-  TUA, com certeza irão até dizer:
— Opa, mas isto deveria estar na Coluna dos Leitores!
 Embora a TUA desfrute constantemente daquele espaço com a altivez de uma dama, visto que jamais muda suas atitudes e desculpas, hoje ela é citada em crônica no Soletrando e prestando um serviço de utilidade pública, seu espaço se destina com objetividade a Terapias Urbanas. Não há terapia melhor que o ouvido de um amigo que o ouça. Apenas o ouça, mesmo que seja por poucos minutos.
Se você, como eu, gosta de escrever, vá de TUA. Ela transporta uma fonte inesgotável de temas, uns que nos fazem rir, outros nos fazem chorar, mas este aqui me deixou muito indignada. Gostaria de ser “gente grande”, daquelas que os legisladores leem, para que eles tivessem uma ideia de como anda a humilde família brasileira. Gostaria de pedir aos legisladores para pensarem um pouco. Que proibindo os pais de educarem da forma deles seus filhos, afastando as crianças de quaisquer tipo de trabalho, não serão alcançados os objetivos para os quais as leis têm sido criadas.  
Não suporto ouvir pais dizerem que seus filhos os desrespeitaram, mas sei que nem todos os pais merecem respeito. Porém, este não parece ser o caso de uma conversa que ouvi dentro de um coletivo.
Confidência de mãe para uma vizinha antiga, que se mudara e perguntou pelos seus filhos. Ela respondeu:
— Fulaninho ia bem, era um bom menino, tirava só notas boas, terminou o quinto ano com onze anos. Nesta idade começou a desejar coisas que meu ordenado e o do pai não davam para comprar. Aos doze, quis trabalhar. Ele mesmo foi falar com o tio que tem um pequeno comércio. Mais os fiscais, desses que se dizem protetores da infância e da juventude, não deram sossego para meu cunhado. E o menino trabalhava, mas continuava com os estudos.
Continuou ela: Hoje...ai meu Deus! Vou encurtar que o ônibus está chegando ao meu ponto. Eu dou graças a Deus quando meu filho está internado numa dessas casas que dizem recuperar drogados, pelo menos enquanto ele lá está, tenho um pouco de paz para cuidar dos outros dois.
Às vezes tenho um desanimo tão grande, quando o menor me diz ‘vou fazer a mesma coisa que o fulaninho, você não pode me bater mesmo’ e minha menina completa:
—Não pode mesmo! Se você fizer eu mesma vou te denunciar. Pode?
Tchau, reze por mim amiga!
Meu Deus! Tomaram das mãos dos pais o direito de educar, das crianças o de trabalhar e não souberam o que fazer. Será que esses defensores das crianças e adolescentes, pagos pelo Estado têm filhos? Ou, me desculpem a franqueza, são todos traficantes do mal?
                   Emília Goulart
Membro do Grupo Experimental da AAL e Cia dos blogueiros

terça-feira, 21 de agosto de 2012

AMADO JORGE e seu CAPITÃES DA AREIA


Vivo repetindo e acredito no que digo, não dá para ser escritor aquele que não lê. Pode- -se até escrever um poema, uma crônica e com sorte escrever um conto, mas sem ter lido outros autores, não teríamos ideia de como classificar os textos.
Fui pega na minha armadilha. Convidada a escrever sobre Jorge Amado senti um suor frio e pegajoso banhar minhas mãos. Da vasta obra deste escritor eu havia lido tão somente Capitães da Areia, isto porque apresentaram a obra aos meus filhos na escola e, diante das narrações que me fizeram quis saber do que  se tratava o livro. Gostei! Achei mesmo que saber como viviam os meninos de rua na Bahia não era tão ruim assim. Fiquei neste. Outras leituras me instigaram mais. Agora, às pressas, reli a Literatura Comentada de Jorge Amado e lamento não ter lido mais de sua obra.
“Escrever para mim é uma coisa que faz parte, que está dentro de mim, é a única coisa que eu sei fazer. É uma coisa que vem das minhas entranhas, é uma necessidade: eu sinto que tenho de fazer aquilo. Mas também é um prazer e eu me divirto ao escrever. Me cansa, me esgota, mas eu me divirto...eu não sei fazer nada que não me divirta”.
Essas palavras que tão bem exprimem o que sinto são de Jorge Amado, que nasceu na Bahia em 10 de Agosto de 1912 com o ofício de escrever a percorrer suas veias, até que um dia se derramou sobre as páginas da revista Luva onde fez sua estreia literária com o Poema ou Prosa, uma sátira aos poemas da época.
Seu primeiro livro O País do Carnaval, foi um sucesso,  mas como todo autor estreante enfrentou com paciência baiana que o editor Schmidt, sentado em sua imensa cadeira, se dignasse um dia a abrir o seu livro e revela para a Literatura Comentada: “Eu ia lá na editora, muito tímido e perguntava do livro. Ele respondia ‘estou lendo, estou gostando muito, já estou na página 70’. Três dias depois eu voltava e ele dizia estou gostando muito, muito, já estou na página 30”.
Jorge Amado foi um dos mais famosos escritores brasileiros com livros traduzidos. Sonhou viver do que escreveria e fez da arte literária seu oficio.
Ao ser procurado para dar uma entrevista para a organização de Literatura comentada, ele disse não gostar de falar de si mesmo, ao que Antônio Roberto Espinosa argumentou: “Mas o homem Jorge Amado é um escritor, portanto é normal que o público tenha curiosidade sobre o autor lido por mais de 20 milhões de pessoas no Brasil e no exterior. Especialmente os jovens que não viveram tudo isso que você escreveu”.
“ Está bem eu concordo. Estou às ordens.Toca o bonde”. Foi esta uma das melhores entrevista com Jorge Amado que li até hoje. Chego mesmo a pensar que nunca ele falou tanto de si mesmo como naquela entrevista, onde vou buscar abertura para me intrometer na vida dele. Suas ideias sobre literatura não eram muito claras. O melhor de Jorge Amado encontra-se em seus romances épicos retratando os grandes latifúndios baianos.  O escritor conta como eram as manobras dos coronéis para se apossarem das matas do Sequeiro Grande, envolvendo pessoas de diferentes níveis em roubos descarados e traições. São Jorge do Ilhéus continua o drama de Terra do Sem Fim. As obras se completam, não há herói individual, mas esta cumplicidade termina com as obras populares. Jorge Amado abandona a literatura engajada e adentra as cidades baianas mostrando todo seu lirismo.

Poeta do amor, como se autodefine, começou escrevendo crônicas de costumes, contando casos picantes e escândalos domésticos, alguns com certo nível em outros ele resvala pelo grotesco.
Contudo, Jorge Amado será sempre lembrado por brasileiros e estrangeiros  e,  principalmente,  muito amado pelos baianos.

Emilia Goulart é Membro do Grupo Experimental, da UBE e da Cia dos blogueiros