Emília Goulart

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Araçatuba, São Paulo, Brazil
Escritora,poetisa, contista,cronista, romancista, artista plástica. Costureira da arte.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

                              De moleque para moleque
A poeira da copa ainda não baixou e não vai baixar tão cedo. Em se tratando de futebol a memória do brasileiro é privilegiada.  Alguns ainda lamentam a amarga derrota do Brasil na copa de cinquenta quando perdemos para o Uruguai, também, aqui dentro de casa.
Um senhor de oitenta e alguns anos ao quarto gol da Alemanha, ajoelhou-se e implorou:
—Duas vezes não, meu Deus!
Havia turistas querendo ficar no Brasil. Com certeza desconhecem a nossa realidade. Se pensam que tudo é festa, enganam-se. Logo descobririam que pagamos impostos altíssimos e como contrapartida, não temos saúde, segurança e as escolas não propiciam aos alunos um ensino adequado. Nem mesmo as escolas particulares são eficazes. Não sei se culpa do método utilizado ou do descaso, mas constata-se que há jovens que terminam o segundo grau e não aprenderam sequer as operações fundamentais da matemática.
Presenciei um fato que muito me constrangeu: uma balconista, bonita, educada me atendeu. Comprei quatro botões de R$ 1,25 cada. Vi a moça transpirar. Fui cruel ao vê-la tirar da cartola aquela coisinha mágica capaz de resolver o seu problema. Confesso que me irrita ver a preguiça mental se entregar ao deleite de uma calculadora sem esboçar nenhuma atitude de defesa.  Primeiro sugeri educadamente que ela usasse o cérebro. Ele, tanto quanto o bumbum, as pernas e a cinturinha, precisa de exercício. Ela respondeu que não precisava de exercícios, que era toda artificial. Confesso que não entendi se ela quis brincar, ser grosseira ou não sabia a diferença entre natural e artificial.  Bem, na dúvida sugeri que ela poderia usar o raciocínio.
Primeiro ela riu, depois voltou sua atenção para a maldita calculadora, que a inquiriu:
—Você não vai aceitar a provocação desta velha que aprendeu nos velhos métodos ultrapassados. Ou vai?
Eu compadecida e paciente aguardava a tão esperada conta.
A garota me olha desafiadora, quer me provar que sabe, mas, tenho certeza de que não sabe.
Sinto uma revolta muito grande a me consumir: Malditos, o que estão fazendo com as nossas crianças? Não proporcionar um ensino digno é a forma mais cruel de governar um país.
A menina volta a me olhar. Está transpirando. Guardou a muletinha no bolso e zas... caneta na notinha que eu apresentaria ao caixa . Notei que ela não sabia multiplicar e avisei, a conta esta errada, tente a adição.  Foi pior ela somou: 1,25+1,25+1,25+1,25= 4,28 entrei em choque. De onde ela tirou este resultado?
Gostaria de perguntar aos mestres em que ano do currículo escolar entra as operações básicas da matemática e se tabuada não faz mais parte do currículo?Afinal a calculadora tem razão no meu tempo de escola os métodos eram outros e ninguém passava sem saber. Muita coisa está fora de lugar no Brasil, mas a educação não pode estar assim no patamar da avacalhação!
  O turista viu um país para inglês ver. Nem futebol temos mais,e olha que este esporte era a glória dos brasileiros. Apanhar fora de casa quase todo moleque apanha, mas, apanhar dentro da própria casa é uma humilhação que o tempo não apaga. É que de moleque para moleque eles souberam melhor afastar os (i)móveis e ocupar os espaços.
Nossas crianças ainda não.
Emília Goulart


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